Brasil registra 66 desaparecimentos de crianças e adolescentes por dia em 2025
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| Agatha Isabele e Alan Michael estão desaparecidos há duas semanas. Foto: Reprodução / TV Globo / Fantástico |
O Brasil encerrou 2025 com 23.919 registros de desaparecimento de crianças e adolescentes, segundo dados enviados pelos estados e pelo Distrito Federal ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e reportados pelo g1. O número equivale a uma média de 66 desaparecimentos de menores de 18 anos por dia e representa um aumento de 8% em relação a 2024, quando a média diária foi de 60 casos.
Os dados reforçam a dimensão do problema e a complexidade do fenômeno no país. Pela legislação em vigor, a definição é ampla. De acordo com a lei que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, a lei 13.812/2019, pessoa desaparecida é “todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento”.
Perfil dos desaparecimentos de crianças e adolescentes
Entre os casos registrados em 2025, cerca de 61% das crianças e adolescentes desaparecidos eram do sexo feminino, o equivalente a 14.658 pessoas. Já 38% dos registros, ou 9.159 casos, envolviam meninos. Em 102 ocorrências, o sexo não foi informado pelas autoridades estaduais.
O painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas, abastecido pelas secretarias de segurança pública dos estados e do Distrito Federal, aponta que a predominância feminina é uma característica específica dessa faixa etária. Quando considerados desaparecimentos em todas as idades, o cenário se inverte: 59% dos registros são de pessoas do sexo masculino.
Segundo a coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buono Sennes, a diferença entre os sexos é um dado relevante, mas ainda não permite conclusões definitivas.
“Por termos dificuldade na apuração das causas do desaparecimento, de qualificar qualitativamente o fenômeno, nós ainda não conseguimos inferir motivações e causalidades’”.
Ela avalia que a política pública voltada ao tema ainda é recente e precisa de maior integração com os estados para aprofundar a análise de recortes regionais e de gênero.
Casos que mobilizam comunidades e o uso do Alerta Amber
Nos últimos dias, o desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, mobilizou moradores do povoado São Sebastião dos Pretos, na zona rural de Bacabal, no Maranhão. As crianças desapareceram em 4 de janeiro e, na segunda-feira (26), as buscas entraram na quarta semana.
O caso conta com apoio do protocolo Amber Alert, acionado em situações consideradas de alto risco. De acordo com Iara Buono Sennes, o sistema tem se mostrado uma ferramenta importante na localização de crianças desaparecidas.
“A gente tem para esse público uma iniciativa específica e que está implementada desde 2023, que é o alerta Amber, um alerta que funciona especificamente para casos de desaparecimento de crianças e adolescentes. Ele foi implementado aqui pelo Ministério da justiça a partir de um acordo com a Meta”, explica Sennes.
O alerta permite a emissão de notificações emergenciais com informações e imagens das crianças desaparecidas, divulgadas por plataformas como Facebook e Instagram em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Estados com maiores taxas de desaparecimento de menores
Ao analisar as taxas proporcionais por 100 mil habitantes, Roraima aparece com o maior índice de desaparecimento de crianças e adolescentes, com 40 casos. Em seguida vêm o Rio Grande do Sul, com 28, e o Amapá, com 24.
Essas diferenças regionais reforçam a avaliação de especialistas sobre a necessidade de políticas mais integradas e adaptadas às realidades locais, tanto na prevenção quanto na resposta rápida aos desaparecimentos.
Desaparecimentos voltam a crescer após a pandemia
Considerando todas as faixas etárias, mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil em 2025. Trata-se do maior número desde o início da série histórica do painel, em 2015, superando inclusive os patamares registrados antes da pandemia de Covid-19.
A taxa nacional de desaparecimentos no ano passado foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes. Durante a pandemia, os registros haviam apresentado queda, movimento que agora se reverteu com força.
São Paulo concentra maior volume absoluto de casos
O estado de São Paulo lidera em números absolutos, com 20.546 registros de desaparecimento em 2025, o que corresponde a cerca de 24% de todos os casos do país. A taxa estadual é de 44,59 desaparecidos por 100 mil habitantes.
Na sequência aparecem Minas Gerais, com 9.139 casos, e o Rio Grande do Sul, com 7.611. Em termos proporcionais, Roraima volta a se destacar negativamente, com cerca de 78 desaparecimentos por 100 mil habitantes, seguido pelo Distrito Federal, com taxa de 74,58.
Veja o ranking completo abaixo:São Paulo: 20.546 casos (taxa por 100 mil habitantes: 44,59 desaparecidos)
Minas Gerais: 9.139 casos (taxa: 42,72 desaparecidos)
Rio Grande do Sul: 7.611 casos (taxa: 67,75 desaparecidos)
Paraná: 6.455 casos (taxa: 54,29 desaparecidos)
Rio de Janeiro: 6.331 casos (taxa: 36,76 desaparecidos)
Santa Catarina: 4.317 casos (taxa: 52,73 desaparecidos)
Bahia: 3,929 casos (taxa: 26,42 desaparecidos)
Goiás: 3.631 casos (taxa: 48,91 desaparecidos)
Pernambuco: 2.745 casos (taxa: 28,71 desaparecidos)
Ceará: 2.578 casos (taxa: 27,81 desaparecidos)
Espírito Santo: 2.421 casos (taxa: 58,66 desaparecidos)
Distrito Federal: 2.235 casos (taxa: 74,58 desaparecidos)
Mato Grosso: 2.112 casos (taxa: 54,24 desaparecidos)
Pará: 1.238 casos (taxa: 14,21 desaparecidos)
Maranhão: 1.182 casos (taxa: 16,84 desaparecidos)
Rondônia: 1.018 casos (taxa: 58,11 desaparecidos)
Amazonas: 982 casos (taxa: 22,72 desaparecidos)
Paraíba: 929 casos (taxa: 22,31 desaparecidos)
Rio Grande do Norte: 775 casos (taxa: 22,43 desaparecidos)
Piauí: 744 casos (taxa: 21,98 desaparecidos)
Alagoas: 729 casos (taxa: 22,63 desaparecidos)
Sergipe: 728 casos (taxa: 31,66 desaparecidos)
Tocantins: 609 casos (taxa: 38,38 desaparecidos)
Roraima: 577 casos (taxa: 78,1 desaparecidos)
Acre: 413 casos (taxa: 46,7 desaparecidos)
Amapá: 408 casos (taxa: 50,59 desaparecidos)
Mato Grosso do Sul: 378 casos (taxa: 12,92 desaparecidos)

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