Controle parental: quanto tempo de tela na adolescência?

Mathilde de Robien - Aleteia - Em um momento em que médicos e autoridades públicas se preocupam com a invasão dos smartphones no cotidiano dos jovens, a Dra. Anne-Lise Ducanda recomenda limitar a uma hora por dia o tempo de tela para um adolescente de 15 anos e insiste: "adicionar tempo deve ser algo excepcional".
"Mãe, você pode me dar mais tempo?" Uma pergunta que pareceria totalmente incongruente há alguns anos, mas que se impõe hoje no dia a dia de muitos pais preocupados em controlar o uso do telefone dos filhos na adolescência. Para os não iniciados, ela significa: "Pode me liberar mais tempo para eu usar meu celular?". De fato, os softwares de controle parental permitem monitorar o uso do smartphone da criança, limitando a duração diária do tempo de tela e o acesso a certos sites e aplicativos. Em teoria, um consenso ideal. Na prática, uma atividade que exige ajustes regulares... ou não!
Em muitas famílias, os pedidos de tempo extra dependem do contexto (período escolar ou férias, saídas à noite, responsabilidade em um acampamento escoteiro...) e das intenções da criança. As filhas de Jessica têm direito a uma hora por dia durante a semana e três horas por dia nos fins de semana e feriados. "Usamos o Family Link, nossas filhas ouvem muita música pelo celular, elas não têm redes sociais, eu monitoro o tempo gasto em cada aplicativo e o telefone delas fica bloqueado das 21h30 às 7h", explica a mãe. "Às vezes pedem tempo extra para ouvir música ou ligar para uma amiga. Eu aceito ou recuso, dependendo do comportamento no dia, se estamos em família, se os deveres foram feitos..."
Os tempos de tela na adolescência
De acordo com o relatório da Anses (Agência Nacional de Segurança Sanitária da França) publicado em 13 de janeiro, fruto de cinco anos de trabalho de um comitê de especialistas, na França, um em cada dois adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia em um smartphone, a maior parte do tempo conectado a redes sociais. O uso é considerado excessivo pela agência, que aponta diversos efeitos nocivos à saúde: alteração do sono, desvalorização de si mesmo, comportamentos de risco e ciberviolência.
Para a Dra. Anne-Lise Ducanda, médica do desenvolvimento infantil e cofundadora do CoSE (Coletivo sobre a Superexposição às Telas), as limitações de tempo e conteúdo são indispensáveis. O coletivo recomenda durações máximas para cada faixa etária:
Até 3 anos: nada de telas.
Até 6 anos: o mínimo possível.
6 a 10 anos: 1 hora por dia nos fins de semana.
10 a 14 anos: 2 horas por dia nos fins de semana.
"Se a criança puder se conectar todos os dias, ela pedirá sua 'dose' todos os dias", explica a médica. "Limitar as telas aos fins de semana permite que a criança se reconecte com a vida real, com os outros e com sua família."
"O controle parental é indispensável porque a criança não consegue se autorregular."
Quanto aos mais velhos, o coletivo recomenda não dar um smartphone antes dos 15 anos e, após essa idade, instalar controle parental e limitações rígidas. "O cérebro só amadurece aos 25 anos, assim como a capacidade de autorregulação. Portanto, a criança precisa dos pais!", destaca a Dra. Ducanda à Aleteia. "Não se pode deixar o tempo ilimitado dizendo 'você só tem direito a duas horas', é impossível! A criança não consegue se proteger sozinha."
Aguentar firme
Essa vigilância necessária por parte dos pais não é tarefa fácil. "Um adolescente vai, inevitavelmente, pedir para adicionar tempo", previne a Dra. Ducanda. "Ele vai tentar burlar o controle parental, mas os pais precisam resistir, no interesse do próprio filho."
Muitos pais relatam dificuldades. "Aos 16 anos, nossa filha tinha 2 horas por dia e recolhíamos o celular às 21h30", conta Louise, mãe de cinco filhos. "Mas tínhamos muita dificuldade em resistir aos pedidos de tempo extra que ela justificava com argumentos convincentes, até que ela acabou hackeando os sistemas de controle."
Élise viveu uma experiência semelhante: "Nosso filho de 14 anos tem uma hora de tela por dia e não tem redes sociais. Fiquei surpresa que ele nunca pedia mais tempo, até descobrir que, apesar do limite, ele conseguia acessar mais tempo". Nesses casos, o diálogo é necessário para explicar o motivo das limitações e restaurar a confiança.
A regra de ouro
Então, quanto tempo para quem tem mais de 15 anos? Para Anne-Lise Ducanda, "o ideal é não ultrapassar uma hora por dia", já que estudos mostram efeitos prejudiciais a partir de uma hora de consumo diário (fora o uso para fins escolares). "É importante explicar que é para o bem dele e manter a palavra! Quando o filho pedir mais tempo, a resposta é não. Adicionar tempo deve ser algo excepcional."
Além do tempo, a médica reforça a "regra dos quatro nãos", elaborada pela psicóloga Sabine Duflo:
Não de manhã (para preservar a atenção).
Não durante as refeições (para preservar a interação).
Não antes de dormir (para preservar a qualidade do sono).
Não dentro do quarto.

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