Agral traz reflexão sobre memória histórica e desigualdade social em palestra sobre Euclides Neto
Itabuna, 13 de maio de 2026 - A Academia Grapiúna de Artes e Letras (AGRAL) realizou, na noite de 13 de maio, a abertura oficial de seu Ciclo de Palestras 2026, reafirmando seu compromisso com a promoção do pensamento crítico, da cultura e do diálogo entre saberes. O encontro reuniu acadêmicos, autoridades e convidados em uma programação marcada pela sensibilidade artística e pela densidade reflexiva.
Fundada em 2011 por nomes que hoje constituem a memória institucional da entidade, a AGRAL mantém-se como espaço de valorização da literatura, das artes e das humanidades no sul da Bahia. A solenidade contou com a presença da presidenta da instituição, Josanne Francisca Morais Bezerra, e foi conduzida pelo jornalista e acadêmico Antônio Paulo de Oliveira Lima.
A abertura artística da noite ficou a cargo de Dona Valderez, atriz, compositora e cantora ilheense, cuja trajetória atravessa quase nove décadas de vida dedicadas à cultura popular. Símbolo de resistência e ancestralidade, a artista emocionou o público ao trazer à cena sua vivência, marcada pelas raízes do cacau, pela força da oralidade e pela afirmação da identidade baiana.
Na sequência, o momento musical com Dejaci Soares da Silva reforçou, por meio da música, os temas da memória, da identidade e da resistência - elementos que também dialogaram com a escolha simbólica da data. Celebrado em 13 de maio, o evento evocou a abolição formal da escravidão no Brasil, propondo uma reflexão crítica sobre as permanências das desigualdades estruturais na sociedade contemporânea.
O ponto alto da programação foi a palestra da confreira Lisdeili Nobre, que abordou o tema “Corpos, Silêncios e Fome: Leituras de Gênero, Raça e Classe em Os Magros, de Euclides Neto”. Com uma trajetória que transita entre o Direito, a segurança pública, a docência e a produção intelectual, a palestrante apresentou uma análise que articula literatura e realidade social, lançando luz sobre as múltiplas camadas de exclusão e invisibilidade presentes na obra do autor baiano.
Delegada da Polícia Civil, professora universitária, pesquisadora e integrante da AGRAL, Lisdeili Nobre é reconhecida por sua atuação em projetos de prevenção à violência e promoção de políticas públicas humanizadas, além de sua contribuição ao debate acadêmico e cultural.
A programação foi encerrada com novos momentos musicais e agradecimentos institucionais, culminando em um encontro que uniu arte e pensamento em torno de temas urgentes e necessários.
Com iniciativas como o Ciclo de Palestras, a Academia Grapiúna de Artes e Letras consolida-se como um espaço de reflexão crítica e produção cultural, promovendo o diálogo entre tradição e contemporaneidade e reafirmando o papel da palavra como instrumento de transformação social.


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