Agosto Dourado 2026: amamentação para um começo de vida sustentável Última

Tema da Semana Mundial
da Amamentação em 2026
O Agosto Dourado é dedicado à conscientização sobre a importância do aleitamento materno e à defesa das condições necessárias para que as mulheres possam amamentar. O Ministério da Saúde recomenda que o bebê receba somente leite materno nos primeiros seis meses de vida e que a amamentação continue, junto com a alimentação complementar, até os dois anos ou mais.
O leite materno oferece os nutrientes de que o bebê precisa, ajuda a protegê-lo contra infecções e contribui para seu crescimento e desenvolvimento. Segundo o Ministério da Saúde, estima-se que o aleitamento materno possa reduzir em até 13% as mortes de crianças menores de cinco anos por causas evitáveis. A amamentação também traz benefícios para a saúde da mulher.
Fortalecer o que funciona
A Semana Mundial do Aleitamento Materno de 2026 tem como tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”. Definida pela Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno, a campanha propõe reconhecer e ampliar políticas, serviços e práticas que já apresentam bons resultados na proteção, na promoção e no apoio à amamentação.
A proposta também reforça que a amamentação contribui para a saúde, a nutrição, a segurança alimentar e a sustentabilidade. Para avançar, é necessário acompanhar os resultados das ações, aprender com experiências bem-sucedidas e transformar essas evidências em políticas públicas e apoio contínuo às famílias.
Amamentar depende de apoio
Embora seja realizada pela mulher, a amamentação não deve ser tratada como uma responsabilidade exclusivamente individual. Para que ela aconteça, a mãe precisa receber informação segura, acolhimento e apoio da família, dos profissionais e serviços de saúde, dos locais de trabalho, das comunidades e do poder público.
Combater a desinformação e garantir acesso às unidades básicas de saúde e aos bancos de leite humano também são medidas fundamentais. Mais do que dizer que a mulher deve amamentar, é preciso assegurar condições para que ela possa fazer isso com segurança, respeito e acompanhamento adequado.
A atuação da Pastoral da Criança
A promoção do aleitamento materno é uma das principais bandeiras da Pastoral da Criança. Desde a gestação, líderes voluntários capacitados visitam e orientam as famílias sobre a importância da amamentação exclusiva até os seis meses e de sua continuidade, junto com outros alimentos, até os dois anos ou mais. Esse acompanhamento próximo ajuda a esclarecer dúvidas, combater informações incorretas e incentivar a busca por atendimento nos serviços de saúde sempre que necessário.
No conteúdo a seguir, conversamos com Camila da Silva Pereira, nutricionista que atua em Curitiba, no Paraná, e integrante da IBFAN Brasil - Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar.
Na entrevista, ela apresenta informações importantes sobre o aleitamento materno e responde a dúvidas frequentes das famílias. Você pode acompanhar o conteúdo completo abaixo ou ouvir a entrevista no player de áudio desta página.
Nutricionista
 Camila da Silva Pereira
Entrevista com Camila da Silva Pereira, nutricionista e membro da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN Brasil).
Camila, como o aleitamento materno contribui para a sustentabilidade ambiental e para a segurança alimentar e nutricional?
CAMILA: A sustentabilidade é a forma que a gente precisa pensar o mundo para atender as necessidades da população, sem comprometer o mundo para as gerações futuras. De uma forma geral, se a gente parar para pensar o aleitamento materno, a amamentação, ela seria a prática mais pronta para a gente mostrar realmente o que é sustentabilidade. O leite materno não vai gerar resíduo, o aleitamento não vai depender de produção de cadeia industrial, não vai consumir água para ser produzido, além da água que a mãe já ingere para si mesma, não emite gases que são poluentes. É um recurso 100% natural e que se renova o tempo todo. E para segurança alimentar e nutricional, o leite materno vai trazer todas as outras partes da sustentabilidade, protegendo esse bebê de possíveis problemas, dando a ele a oportunidade de ter o melhor alimento para o seu desenvolvimento.
Camila, quais são os impactos negativos do não aleitamento materno para o meio ambiente?
CAMILA:Quando a gente não amamenta, o bebê vai depender do uso de fórmulas lácteas comerciais e vão gerar impactos ambientais graves e diretos. Então, a produção desses leites requer extração de água intensiva, produção de embalagem que gera plástico, metal, gastos com transporte, emissão de poluentes e processamento industrial, que também vai acabar emitindo poluentes e carbono. Os estudos recentes mostram que o impacto da fabricação desse tipo de fórmula láctea gera milhões de toneladas de resíduo e contribui muito significativamente para emissões de gases de efeito estufa.
Quais são os prejuízos da não amamentação para o serviço de saúde?
CAMILA: Então, as crianças que não recebem leite humano, a gente já sabe que têm maior quantidade de infecção no primeiro ano de vida, respiratória, gastrointestinais. Diagnóstico de alergias e doenças crônicas até na primeira infância e adolescência são relacionadas com a falta de leite materno, com obesidade e diabetes. Isso vai gerar mais consultas, mais hospitalização e mais custo para o sistema de saúde pública. E para as mães o risco aumentado de câncer de mama, câncer de ovário, depressão pós-parto, diabetes tipo 2, que também vão gerar custos para os serviços de saúde.
Camila, quais são os benefícios do aleitamento materno para o bebê e para a mãe?
CAMILA: Os benefícios do aleitamento para o bebê e para a mãe são imensos, mas de uma maneira rápida e geral ele vai ser a alimentação mais completa até os seis meses, vai facilitar a digestão, hidratação, proteger contra infecções respiratórias, gastrointestinais, reduz alergia, melhora muito imunidade e diminui a mortalidade infantil. E para mãe, vai favorecer toda essa recuperação de pós-parto, reduzir câncer de mama e ovário, reduz os impactos da depressão pós-parto, fortalece o vínculo, oferece proteção para mãe do diabetes do tipo 2, de doenças cardiovasculares e vai ser a forma mais econômica e eficaz para proteger a mãe e o bebê.
Camila, como o aleitamento materno é uma responsabilidade coletiva?
CAMILA: Para criar uma criança precisa uma aldeia. Esse é um provérbio africano. E amamentar não é só uma decisão da mãe, ela não depende só disso. Ela vai ser responsabilidade de toda a sociedade, dos serviços de saúde, de profissionais de saúde, de cultura. Então, a gente luta ainda por políticas públicas muito mais robustas, que protejam a mãe e o bebê do marketing, principalmente do marketing abusivo dos substitutos de leite humano: fórmulas, mamadeiras, bicos e chupetas. Precisamos de licenças-maternidade adequadas, locais de trabalho que apoiem verdadeiramente essa mãe, serviços qualificados e profissionais capacitados que sejam verdadeiras redes de apoio que orientem a mãe da melhor forma e que a mãe tenha suas dificuldades sanadas e respeitadas sempre por esses profissionais e pela comunidade.
O tema para a Semana Mundial do Aleitamento Materno deste ano diz: “Amamentação para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona.” Camila, o que funciona? E por que o que funciona é tão importante?
CAMILA: De uma maneira simples e direta, o Brasil já funciona com relação à políticas públicas de aleitamento materno. A gente não precisa inventar novas soluções, porque o leite humano por si só, ele é a solução. O que a gente precisa é aprimorar e continuar protegendo e cuidando da amamentação. Então, fortalecer o que funciona é principalmente mostrar a força dos bancos de leite humano no Brasil, qualificar essas equipes de saúde, atualizá-las sempre, aumentar e proteger mais a amamentação, principalmente cuidando da nossa NBCAL, que é a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes de Proteção ao Marketing Abusivo, e fortalecer políticas públicas de aleitamento. Tudo isso já funciona, mas precisa ser muito mais fortalecido.
Ao ganhar bebê, a mulher encontra-se vulnerável e lhe são oferecidas tantas marcas de leite. Camila, o que está por trás desse marketing? O que a lei garante sobre isso? Como lutar contra o desestímulo ao aleitamento materno?
CAMILA: Primeiro, a gente precisa lembrar que marketing é uma ciência que deu certo e que essas indústrias, as que fabricam as fórmulas lácteas, elas pensam exclusivamente no lucro e lucram bilhões de dólares por ano. Esse marketing é feito para explorar justamente essa vulnerabilidade das mães. Usam estratégias inúmeras que criam inseguranças sobre se a mãe vai ter capacidade de amamentar, se ela vai produzir leite. E tentam sempre promover esse substituto como algo muito bom ou, quem sabe, igual ou até superior. A lei tenta proteger as famílias desse tipo de marketing, mas ele ainda encontra brechas e a gente precisa sempre buscar atualizações constantes para que o aleitamento seja realmente protegido, não só no Brasil, mas no mundo todo.
Camila, onde a mulher pode buscar ajuda?
CAMILA: Além do banco de leite humano ser o lugar que recebe leite humano para doação para os bebês que estão hospitalizados, prematuros, eles também são lugares de atendimento gratuito às dificuldades da amamentação. Então, toda vez que a mulher sentir que tem um problema para amamentar, os bancos de leite humano vão ser uma opção gratuita e muito boa de consultoria. Nós vamos ter também as unidades de saúde como referência. Então, no Brasil, por exemplo, a gente tem a Estratégia Amamenta e Alimenta e a gente precisa fortificar essas políticas e principalmente manter os seus profissionais atualizados. E aí, fora do SUS, a gente vai ter consultoras de lactação, grupos de apoio à amamentação em comunidades que podem e devem sempre ser buscados.

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